quinta-feira, 7 de julho de 2016

Não cabe a mim mudar as outras pessoas

Sabe aquela história de que somos os responsáveis pela mudança que queremos no mundo? Pera lá, um pouco de cautela ai!

Eu finalmente entendi o que significa fazer parte de um todo. Vivemos em um mundo cheio de outras pessoas que pensam diferente de nós, pessoas com sonhos, prioridades, necessidades e personalidades diferentes das nossas e isso faz parte da beleza e da feiúra do mundo, embora eu prefira acreditar que muito mais da beleza! Essas diferenças fazem com que nós possamos aprender uns com os outros, porque se todos fossem iguais, o mundo não evoluiria nunca.

Photo credit: dancing with the dead via Foter.com / CC BY-NC-ND

Mas quando falamos da personalidade e das atitudes o bicho pega porque entram em jogo divergências de pensamento, comportamento, o juízo de valor e o tal do certo e errado . Eu não preciso concordar com a forma como o outro age, mas eu também não posso querer que ele pense ou se comporte da forma que EU acredito ser a correta. Esse tipo de pensamento de que só nosso jeito é o correto (mesmo quando nosso jeito também está correto) faz com que a gente entre num estágio de julgamento constante da postura do outro, faz com que a gente se coloque em uma posição em que acredita que o outro tem o dever de se comportar como nós e além de nos tornarmos reclamões irritantes ficamos doentes.

Foi assim que me perdi.

Eu sou uma pessoa muito tolerante com algumas coisas, mas não percebi o quanto me tornei intolerante para outras. Eu tive uns problemas com relacionamento interpessoal e acabei tornando a coisa muito mais pessoal do que ela deveria ter sido por ter demorado para tomar uma atitude que pudesse mudar a situação, demorei para entender que aquilo deveria ser corrigido. Ainda assim, mesmo após a situação ter sido resolvida, as marcas que elas me deixou me tornaram cheia de rancor com relação à outra pessoa e também gerou o que posso chamar de uma certa obssessão por criticar tudo o que a pessoa fazia. Não é algo bonito de assumir, porém eu finalmente entendi o que aconteceu comigo. Eu deixei que um problema me machucasse porque demorei para tomar uma atitude a respeito por medo das consequências e no final das contas eu me prejudiquei de outras formas. O problema pior foi que depois de a questão ser resolvida eu simplesmente adotei uma postura horrorosa e rancorosa. O que vamos ser honestos, não me ajudou em nada.

Eu fui afundando, afundando e quase me afoguei em um oceano de sentimentos ruins e reclamações sem fim. Eu chorei na frente de outras pessoas (várias vezes), eu discuti com gente que não tinha nada a ver com a situação, eu sentia raiva o tempo todo, ataquei meus amigos, reclamava de tudo e achava que era a única pessoa agindo corretamente quando na verdade estava fazendo TUDO ERRADO! Eu me deixei doente, eu me coloquei em uma situação ruim e não enxergava isso, porque na minha cabeça a culpa era das outras pessoas porque eu era a vítima (que tolinha!). Eu precisei chegar em um ponto em que olhei para mim e senti vergonha da minha situação para entender que a culpa não era do outro, mas minha, só minha e eu era a única pessoa capaz de me curar porque eu estava me envenenando aos poucos.

Eu acredito que o mundo precise de regras, eu acredito que todos temos deveres, obrigações e que devemos cumprir com isso, mas isso é minha percepção. Eu detesto a mania que as pessoas têm de querer dar jeitinho para tudo, mas eu não vou mudar ninguém e eu não vou resolver essas coisas ficando irritada e brigando. Eu só preciso agir de acordo com meus valores e com as coisas que acredito serem certas, e então tudo bem. Posso educar, orientar o outro sim, mas eu convivo na maior parte do meu tempo com adultos, então se alguém não quer cumprir regras não sou eu que vou mudar isso com minhas reclamações. Somos responsáveis por nossas ações e tudo tem uma consequência, então eu posso ficar tranquila porque se algo estiver errado vai ser corrigido pelas leis do universo.

Me coloquei numa condição em que escolhi sofrer por coisas que não precisava, me importei demais com coisas que estavam além da minha alçada. Gastei minha energia com coisas ruins ao invés de transformá-la em coisas boas. Eu sou uma Pessoa, já tenho minhas necessidades e dificuldades, tenho muitas qualidades e defeitos e todos os meus próprios dramas para lidar e não preciso colocar mais peso nas minhas costas.

Eu firmei o compromisso de me preocupar apenas com minha Vida, eu falo da Vida em seu sentido mais amplo. Me comprometi a mudar minha postura frente às coisas que não concordo e caso isso não esteja prejudicando ninguém eu simplesmente não vou me envolver emocionalmente com coisas que não mereçam tanto gasto de energia. Serei racional. Estou aprendendo meus limites e finalmente entendi que não tenho a obrigação de resolver todos os problemas do mundo, muito menos de mudar as pessoas. Eu posso sim alertar alguém no caso de a pessoa estar fazendo algo que não seja correto éticamente ou que possa prejudicar outras pessoas, porém cabe a essa pessoa mudar de postura ou não e eu não tenho que sofrer por isso, porque o outro irá continuar vivendo sua vida tranquilamente enquanto eu estou chorando oceanos e deixando de viver e aproveitar as coisas boas da Vida.

Eu amo minha Vida e amo as pessoas que fazem parte dela. Mas eu preciso colocar minha saúde em primeiro lugar e cuidar um pouco mais de mim... É muita maldade comigo me causar toda essa angústia por coisas que não posso mudar. As pessoas têm direito de agir como querem, seja essa postura correta ou não, eu não tenho direito de querer mudá-las. Qualquer sofrimento causado em mim quando eu acredito que tenho ou que posso mudar o outro é minha culpa, então se eu tenho escolha, pra que sofrer?

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10 comentários:

  1. Oi, Line! :D

    Então, acho que a gente tem que dar o nosso melhor. Uma coisa que eu aprendi com uma professora minha (a discussão era sobre a indisciplina dos alunos) é que a gente não pode mudar o comportamento do outro, mas que podemos mudar o nosso comportamento - o que, provavelmente, gere um impacto no outro. Quando a gente muda a nossa atitude, o outro é obrigado a reagir de uma outra maneira (às vezes, essa reação é rápida e explicita, outras vezes é algo que primeiro fica no campo das reflexões, depois vira ação).
    Eu não posso mudar o comportamento do meu aluno, mas seu mudar como ajo com ele, isso terá um impacto e causará algum tipo de mudança (nem que seja a longo prazo).
    A discussão que era educacional virou algo de vida, para mim. Sempre que me pego pensando nisso quando sinto que estou me perdendo...

    E, outra coisa, depois que passei dos 28 (faço 30 em setembro), comecei a simplesmente não me importar tanto com algumas coisas (e com algumas pessoas). Sabe quando a gente gasta muita energia tentando fazer dar certo? Então, parei de gastar esta energia. Quer ser amigo, seja. Não quer, não forço a barra. Dá pra fazer, faço. Se não der, renegocio a tarefa, peço ajuda, mudo de objetivo. Acho que, com a proximidade dos 30, o foco da minha vida começou a mudar. E, sinceramente, isso é libertador também.

    Compartilhei tudo isso, porque acho que pode te ajudar de alguma forma. Você já está determinada a focar em você, e isso é um passo importante. :)

    Espero que tudo dê certo daqui pra frente!
    Beijos,

    Algumas Observações

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    1. Oi Fê,
      Obrigada por compartilhar sua experiência comigo, com certeza vai me ajudar nesse momento!

      Eu concordo com você que quando a gente muda a forma de agir com o outro ele provavelmente sentirá a mudança e isso gerará um retorno. Quando falamos em crianças, como seus alunos ainda é mais delicado porque como adultos devemos ser educadores, então imagino que seja mais complicado. Porém adultos já sabem como devem se portar e se não estão fazendo isso é porque não querem mesmo. Então é melhor a gente não gastar tanta energia com isso...

      Não estou dizendo que devemos nos acomodar com aquilo que nos incomoda, mas ao invés disso é melhor tentarmos mudar nossa forma de enxergar a situação é mudar nossa postura, se necessário. Não dá pra ficar sobre por causa de coisas que não podemos mudar!

      Um beijo e obrigada!

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  2. Aline, seu post foi meu salva vidas hoje.
    Tive um desentendimento feio com meu marido ontem devido esse tema, ele infelizmente tem algumas particularidades que muito me incomodam e passei décadas tentando mudar o que não se pode mudar.
    Gastei muita energia minha fazendo exatamente assim, minha terapeuta sempre disse que eu não posso sair por aí mudando o mundo e sim aprender a conviver com as diferenças, tantos meses gasto com ela e você me tocou mais profundamente. Como você, vou entrar numa fase "desintoxicação" e começar a se preocupar mais comigo. Tomara que tudo dê certo para nós daqui para frente.

    Sempre sorrindo ok?
    Beijos,

    Bella.

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    1. Oi Bella,
      Eu fico feliz que de alguma forma minha experiência tenha te ajudado!
      O ponto aqui é dosar o quanto da nossa energia e saúde vamos gastar com cada situação. É normal nós não gostarmos de algo de vez em quando, mas achar que o outro vai ou deve mudar porque a atitude dele não nos agrada é prepotente e só nos faz mal. Precisamos dar leveza para nossas vidas, mudar nossa atitude frente à determinadas situações!

      Espero que fique tudo bem pra você também!

      Sempre sorrindo!
      Um beijo!

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  3. Ai ai, sei tão bem o que sente que tenho vontade de chorar.Passei por algo assim recentemente, e quando nos libertamos de algo assim, é tão bom.Nos sentimos nós mesmos e começamos a descobrir uma série de coisas sobre nossa personalidade e etc.
    É um texto bonito :)
    Seja forte.A vida vai retribuir suas lágrimas com um baita brilho, rs.

    beeijão :)
    http://www.carolhermanas.com.br/

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    1. Oi Carol,
      Realmente não é fácil quando passamos por isso, mas pelo menos eu precisei chegar no extremo pra perceber no que tinha me transformado e no quanto eu tinha me machucado (sim, eu e não outras pessoas). A partir daí entendi que era eu quem precisava mudar e não os outros... então estou nesse processo de me melhorar para ser mais feliz. E sim, é libertador!
      Muito obrigada pelas palavras, Carol 😍

      Um beijo!

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  4. Que texto! Uma das minhas grandes perguntas era qual era o erro e onde eu errava tanto, quando as vezes a gente tem que olhar e ver que não somos nós os errados e sim as pessoas o redor e não cabe mesmo a nós muda-las. Porque a gente sabe o que tem dentro do coração, dentro do coração do outro, quem é que sabe?

    www.kailagarcia.com

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    1. Oi Kaila, quando a gente quer mudar o outro passa a ser um erro nosso! Cada um tem suas motivações para ser como é... Não dá pra deixar alguém prejudicar o outro, mas também não dá pra se matar sozinho enquanto tenta mudar o mundo todo!

      Um beijo!!

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  5. Primeiramente: TEU BLOG É LINDO E EU AMEI.
    Segundo, Ual! Que texto hein!
    Também não acho certo mudar as outras pessoas, e já tentaram fazer isso comigo diversas vezes. Aprendi com a vida que não devemos julgar o tentar modificar a personalidade do outro, mas sim tentar entender e, aceita-las e ama-las do jeitinho que são. O segredo é se adaptar ao jeito das pessoas, caso contrário, estaremos destinadas a sofrer em vão.

    Amei o texto, amei o blog, amei tudo por aqui, parabéns!

    Beijinhos,

    https://poetizou.blogspot.com.br/

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    1. Oi Priscila, tudo bem?
      Desculpa a demora para responder, mas obrigada pelo carinho!

      Pois é... E não que a gente vá mudar o outro, porque NÃO VAI, vai só gastar energia a toa! Não sou obrigada a amar o jeito do outro caso eu não concorde com sua postura, mas não posso exigir que ele aja de acordo com o que eu acredito ser certo! Mesmo porque só eu vou ficar enlouquecendo e ele vai continuar agindo igualzinho...

      Um beijo e muito obrigada!

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