quinta-feira, 14 de abril de 2016

É preciso dizer não.

Eu fujo do conflito desesperadamente. Eu nem precisei ir à terapia para entender isso, foi o sintoma que me fez procurar ajuda, foi minha dificuldade absurda de me posicionar que estava me sufocando. Eu fazia (ou faço) de tudo para não incomodar, não irritar, não deixar ninguém chateado, mas eu me dei conta que estava perdida dentro de uma nuvem de coisas que eu queria dizer e não disse.

Imagem daqui

Cada não que eu deixei dizer me levou a sofrer algum tipo de abuso mais tarde. Eu não estou aqui dizendo que a culpa de tudo é minha, mas eu entendo minha parcela de responsabilidade nas coisas que eu permiti que fizessem comigo quando não me posicionei de forma adequada e em todas as vezes em que não disse aquele "não", ou que não pedi para que alguém parasse de agir de uma determinada maneira.

Outro dia a Maki escreveu esse texto sobre as vezes em que a gente esquece de quem é por causa da vontade de ser aceita, e depois de eventos recentes eu acabei sentindo necessidade de falar disso aqui, pois talvez isso tenha relação com minha insegurança para dizer "não", além um medo absurdo de discordar do outro e entrar numa briga. Mas pera aí! Desde quando eu preciso me anular, me machucar para deixar o outro numa condição favorável (para ele)?

Quantas vezes eu fui em um lugar que eu nem gostava e ainda por cima me fiz acreditar que estava me divertindo só porque era o que todo mundo queria então eu não quis ser a chata do rolê? Mas depois eu cheguei em casa reclamando e completamente insatisfeita porque a única pessoa que cedia e topava o rolê que não queria era eu... Isso não é ser uma pessoa boa, isso é me anular e ficar reclamando sozinha sem de fato fazer algo para mudar a minha situação.

Quantas vezes eu convivi com alguém que possui um comportamento extremamente abusivo e fingi que não era nada só para não entrar em conflito porque gostava da pessoa e não queria arrumar briga a toa? Mas então o comportamento dela se tornou padrão porque ela (embora devesse saber que não era legal agir daquela forma) não sabia que eu não gostava porque por mais ridículo que pareça eu sempre agi como se tudo estivesse bem enquanto por dentro eu estava morrendo. Isso não tem nada a ver com ser uma boa pessoa. Só significa que eu estou sendo conivente com um comportamento ruim de alguém porque não quero entrar em uma briga que eu nem sei se de fato vai acontecer (Olha a ansiedade tomando conta outra vez)! E isso é muito, muito ruim e bem louco.

Eu sempre tive medo das pessoas e eu não deveria. Medo de elas me entenderem mal, medo de elas não gostarem de mim, medo de incomodar. Eu sempre confiei demais e então me arrependi. Hoje não confio em muita gente, porque não vejo muita empatia por ai, ainda assim eu trato todo mundo como gostaria de ser tratada. Isso me parece tão básico e eu não entendo como as pessoas não conseguem agir assim também. Mas não estou aqui para julgar o pensar do outro, eu sei que algumas pessoas só enxergam suas necessidades e assim elas vão derrubando tudo o que está no caminho. Sou eu que não devo deixar ninguém me derrubar. Porque, como eu disse lá no começo, todas as vezes que eu não disse como me sentia eu sofri as consequências disso depois. Por que muito pior do que a explosão que vem do outro quando eu discordo é a sensação de afogamento que sinto quando eu me calo. Sempre vai haver quem não vai mudar de postura mesmo após a gente dizer como se sente, mas ai é hora de ligar o e se afastar, pois quem não nos respeita, não nos merece por perto.

Mesmo eu acreditando que esse padrão de comportamento sempre existiu em mim, eu não me incomodava ou não me dava conta dele. Mas um dia eu abri os olhos e enxerguei que eu estava imersa em um monte de palavras não ditas, em experiências não vividas, sabores não provados pelo simples motivo de que eu tive medo de posicionar. Tive medo de me expor porque toda conversa séria acabava comigo chorando (isso mesmo!) e eu optei por chorar sozinha em casa depois, melhor né? NÃO! Não é melhor.

E não, eu ainda não consigo simplesmente me posicionar em todas as situações, mas hoje eu consigo perceber quando eu deveria e em algumas delas eu até consigo falar o que me incomoda. É tudo um processo, não é? E por mais que eu queria que ele acontecesse de forma mais rápida, isso depende de mim e eu preciso respeitar meus limites enquanto ele acontece.

A única coisa que eu eu não preciso aqui é me anular para que outras pessoas não se sintam desconfortáveis. Porque não falar é só mais uma forma de ser cruel comigo. E estamos acabando com essa coisa de auto-sabotagem, certo?

Está na hora de pararmos de nos engasgar com as palavras não ditas.

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2 comentários:

  1. Aline, você não faz ideia do quanto esse post conversou comigo.
    Apesar de já ter aprendido a dizer não em certas situações, em muitas outras eu ainda deixo de dizer por receio - das pessoas não gostarem de mim, de ser inconveniente, de incomodar, ser tida como a chata do rolê e principalmente porque eu não quero chatear ninguém. Só que a vida é muito curta pra gente fazer coisas que não queremos só pra agradar o outro e, acho, no fim das contas, quem realmente se importa vai entender quando a gente não puder/quiser fazer alguma coisa. É um caminho difícil esse, às vezes a gente ainda volta atrás e aí tem que começar tudo de novo, mas a gente aprende. Tô aqui segurando sua mão.

    beijo <3

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    Respostas
    1. Ana, que comentário lindo de ler ❤.
      Muito obrigada pelo carinho, e realmente é um caminho difícil, a gente vai aprendendo aí vez ou outra olha pra trás e faz errado de novo, mas somos humanas e errar faz parte do nosso DNA, o que não podemos é nós deixar ser levadas por essa onda de acomodação com situações ruins!
      Não vou soltar sua mão, prometo!

      Um beijo

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