D&B: O roubo dos pergaminhos


Foto de Magic Fan na Unsplash

Assim que o sol nasceu, uma patrulheira despertou no reino de Sgolbertne. Ela já estava há alguns dias em uma jornada para salvar os pergaminhos da Grande Biblioteca, o que a levou para longe de casa. Mesmo como patrulheira, Anya enviou pergaminhos diariamente nesses primeiros dias porque sabia da urgência dessa missão. Parou para dormir na hospedagem próxima da floresta porque estava tarde para seguir jornada e arriscar dormir na floresta nos tempos de hoje era perigoso demais.

A garota começou a organizar suas coisas para partir quando sentiu falta de algo muito importante. Seu pergaminho mágico. Anya herdou da sua mãe, uma fada escrivã, esse artefato que permitia que suas histórias fossem enviadas mágica e diretamente para a Grande Biblioteca assim que ela terminava de escrever. Era o que permitia que ela viajasse longas distâncias sem precisar carregar excesso de peso. Entrou em pânico. Revirou o quarto, a bolsa, embaixo da cama e nada, havia sumido. O desespero tomou conta e lágrimas brotaram nos seus olhos e demoraram pra parar de cair.

Juntou o que encontrou das suas coisas na sua bolsa e desceu as escadas correndo para conversar com o dono da hospedagem e tentar entender o que havia acontecido e foi quando encontrou outra garota no saguão de entrada em uma situação muito parecida com a sua, o rosto inchado e a expressão de desespero nos olhos. As duas se olharam e entenderam imediatamente que algo estava muito errado.

- Estava comigo quando fui dormir, eu não estou louca. - Ela dizia ao dono da hospedagem. - Alguém roubou!

Sem pensar duas vezes e antes de ouvir a resposta do homem atrás do balcão, Anya acrescentou:

- Eu também fui roubada. Acho impossível que tenha sumido magicamente.

- Eu não acredito que as senhoritas tenham sido roubadas, não há mais ninguém aqui. Tínhamos outra hóspede, mas ela foi embora ontem antes do anoitecer. - Ele achou que isso acalmaria as duas, mas o efeito foi o contrário.

- Alguém roubou meus pergaminhos - Anya disse enquanto olhava de maneira suplicante para a companheira de tragédia ali ao lado - Eles são importantes. Se não havia outros hóspedes e eu não vou acusar os funcionários da hospedagem, eu só posso crer que alguém invadiu o lugar. Precisamos perguntar se os funcionários viram alguma coisa. - Olhou para a colega e finalmente lembrou que não havia se apresentado. - Eu sou a Anya e você, como se chama?

- Soh. - disse ela. - Meus pergaminhos também foram roubados durante a noite.

Soh olhava para Anya sem acreditar na situação em que se encontravam. Ela também estava na sua jornada para salvar Sgolbertne do apagamento e agora os pergaminhos que havia escrito haviam sumido. Anya sabia que elas já tinham realizado seus ataques aO Crítico Infinito, mas ambas tinham noção de que esse não era o único desafio a ser enfrentado nos próximos dias. Sem seus pergaminhos a força tarefa montada por todos os Guardiões perdia recursos e, na situação em que se encontrava o reino, toda linha escrita contava.

Nesse momento uma outra garota entrou na hospedagem ofegante. 

- Fui roubada aqui nessa hospedagem! Eu tenho certeza de que alguém roubou meus pergaminhos antes que eu saísse para seguir jornada - Ela falou tudo sem pausas até que notou a expressão nas outras duas paradas em frente ao homem.

- NÓS TAMBÉM! - Elas falaram juntas.

- Saí daqui antes do anoitecer, tinha parado para tirar um cochilo, tomar um banho e fazer uma refeição, tinha o objetivo de chegar na floresta até o anoitecer e lá eu me encontraria com amigos. Quando parei para fazer um registro, percebi que meus pergaminhos haviam sumido. - Ela disse olhando pra Anya e Soh. 

- Eu dormi aqui e quando acordei, não encontrei meus pergaminhos na mesa onde eu estava trabalhando antes de dormir. Revirei o quarto e nada. Pelo que entendi, aconteceu o mesmo com a Anya. - Disse Soh apontando para a colega - Meu nome é Soh, aliás.

- Taemi. - Se apresentou.

O homem, chamado Goblerg olhava para as três sem entender o drama e sem oferecer muita ajuda. Na sua expressão havia indiferença, era nítido que ele não entendia o que estava em jogo naquele momento e também não se importava muito em saber. Ele só queria que aquelas três jovens saíssem da sua hospedagem e parassem de criar problemas.

- Eu não sei como ajudar as senhoritas. Posso sugerir que perguntem na região se houve movimentação suspeita, mas gostaria que se retirassem. - Disse enquanto foi guiando as três para a saída.

Elas saíram, uma vez que entenderam que não conseguiriam ajuda ali. Estavam a própria sorte agora.

- Vocês tinham algum pergaminho de segurança com os registros anteriores? - Perguntou Taemi em voz baixa para as outras ali na porta da hospedagem mesmo.

Anya, que andava de um lado para o outro desesperada, desembestou falar:

- Meu pergaminho enviava tudo direto para a biblioteca. Eu nem sei como poderia ter uma cópia dos meus escritos. Eu não sei o que vou fazer agora. Lascou tudo!

Elas se abraçaram tentando se acalmar e tentando pensar outras formas de continuarem a jornada, agora que sua principal arma contra o apagamento tinha se perdido...

- Podemos seguir viagem para encontrar meus amigos e talvez eles possam ajudar. Vamos esperar a noite passar enquanto tentamos descobrir o que aconteceu e também o que podemos fazer daqui em diante. - Sugeriu Taemi.

Elas não tinham muitas opções, Anya não queria conversa com ninguém naquele momento. E para não ser grosseira com as amigas, seguiu em silêncio com elas pela floresta até o ponto de encontro. Alguns guardiões se encontravam em uma cabana na floresta. Lá dentro eles tinham muitos recursos para escreverem e também trocavam idéias para que a chama da criatividade não se apagasse. Assim que tomaram conhecimento do que havia acontecido com as garotas ofereceram todo tipo de ajuda, desde dividir seus pergaminhos com elas até sair para comprar novos pergaminhos. Todos oravam para a deusa Bëwa ajudar no resgate dos pergaminhos roubados e na missão que se via pela frente.

Anya agradeceu as ofertas, mas saiu da cabana por um momento. Além do fato de correr o risco de não poder mais ajudar os Guardiões, ela havia perdido o presente da sua mãe. Isso estava deixando ela sem chão e sem vontade de continuar. Ficou um tempo lá fora resmungando sozinha e quando voltou para a cabana, foi para pedir licença para dormir.

Após acordarem pela manhã, se alimentarem, e começarem a se organizar para sair, uma batida forte foi ouvida do lado de fora da cabana. Os Guardiões se assustaram e olhavam uns para os outros sem entender nada. Foi quando Anya abriu a porta e saiu correndo pela clareira que os demais a seguiram. Foi então que viram:

Um círculo desenhado no chão da clareira, um buraco no centro e lá no meio, uma bolsa. Anya correu para pegar a bolsa. Não escutou nenhuma palavra dos Guardiões que pediam para que não fosse sozinha. Seu coração batia acelerado com medo e com esperança. Estava certa, dentro da bolsa, os pergaminhos roubados. Ela ergueu a bolsa sorrindo e ouviu a comemoração de todos.

Mas logo, todos se calaram, Soh havia percebido que o círculo desenhado no chão, na verdade era uma mensagem. Ela leu em voz alta:

- Uma etapa foi concluída, mas não se animem, a floresta guarda segredos que vocês desconhecem. Esse foi só um aviso. 


Esse post faz parte da campanha de D&B: Os Guardiões da Blogosfera (o BEDA do Entreblogs), estou participando da Jornada do Patrulheiro com a personagem Anya Blume (mas eu vou tentar me meter a herói, eu me conheço).


Comentários

  1. Eeeita que mistério intrigante! Coitadas da Anya, Soh e Taemi que não mereciam passar por esse susto gigantesco, mas pelo menos deu tudo certo no final e recuperaram os pergaminhos. Espero que elas voltem à força para continuar suas jornadas pq todos nós precisamos delas nessa aventura, são indispensáveis.

    Beijos,
    Livro de Memórias

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  2. Que essas guardiãs não passem mais por esse susto. Que a criatividade sempre enteja ao lado delas e que voltei ainda mais forte pra continuarem essa aventura <3

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