Em maio, nós lemos para Clube de Leitura um livro de Fiódor Dostoiévski. O livro escolhido foi Memórias do Subsolo. Foi minha primeira experiência com literatura russa, logo, a primeira vez lendo Dostoiévski. Eu não sei como são os outros livros dele, mas eu preciso dizer que esse foi mais um livro que me despertou emoções diversas. Não posso dizer que amei o livro, mas também não odiei, ele ficou num lugar de leituras diferentes.
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| Um gatinho porque eles têm sido minha companhia |
Faz algum tempo que eu li o livro (dois meses) e algumas informações mais específicas acabaram se perdendo na minha mente confusa, mas eu ainda tenho as memórias (haha) de como eu me senti durante a leitura, então vou construir esse post em cima disso. A parte mais legal do Clube de Leitura é que não existe uma regra sobre como vamos falar sobre os livros, então eu vou só falar sobre ele sem necessariamente falar detalhes sobre o livro em si.
O história é contada na forma do monólogo de um personagem anônimo que se intitula "O Homem do Subsolo". Um funcionário público aposentado que vive sozinho. E durante o livro somos apresentados às memórias da sua juventude enquanto ele divide com o leitor seus pensamentos sobre o comportamento humano.
Durante praticamente toda a narrativa, eu senti que o protagonista adquiriu uma visão um tanto amarga da vida enquanto tenta justificar suas escolhas através de uma filosofia de liberdade que ele usa pra justificar uma mediocridade que eu posso até arriscar que é consciente e de certa forma intencional.
"Sou um homem doente... Sou um homem rancoroso. Sou um homem desagradável."
Uma outra coisa sobre o narrador que eu senti foi que ele, mesmo quando se coloca nesse lugar de insignificância e mediocridade, o faz de um lugar prepotente, como se ser dessa maneira fosse o que fizesse dele uma pessoa melhor que as outras, uma vez que ele não se rendia ao senso comum e nem às ambições esperadas dele e de todos. Então ele conta situações onde diz que não queria fazer mal a alguém enquanto claramente está escolhendo fazê-lo.
"Não era apenas que eu não conseguia me tornar rancoroso; eu não sabia me tornar nada: nem rancoroso nem bondoso, nem patife nem homem honesto, nem herói nem inseto."
Enquanto eu lia o livro eu oscilei por momentos em que eu entendia e até concordava com alguns argumentos do narrador, principalmente na primeira parte quando ele passa boa parte do tempo divagando sobre muitas coisas e outros onde eu queria enfiar a mão por dentro do Kindle e encher a cara dele de socos porque: que sujeito insuportável!
Em alguns dos episódios narrados, ele tenta se colocar num lugar de vítima, como se as pessoas fossem más com ele sem motivo, mas ele não demonstra em nenhum momento uma atitude que permitisse que o tratassem de outra forma se não evitando-o. Quando ele parece que está fazendo algo genuíno e com boa intenção, não demora muito e ele já se mostra mais uma vez uma pessoa amarga e cruel.
"Quanto mais consciência eu tinha do bem e de tudo o que era 'sublime e belo', mais profundamente eu me atolava no meu lodo e mais disposto eu ficava a afundar nele de vez
Eu lembro de chegar num momento no grupo e falar pro pessoal que eu não aguentava mais o quanto o protagonista era chato. Mas isso não significa de forma alguma que ele seja mal construído. O livro é muito interessante e o protagonista é chato porque é como ele é, um cara de 40 anos que trata a sua amargura e o seu comportamento com prepotência e como algo que o diferencia das outras pessoas, dando-lhe um lugar de superioridade, como se aceitar essas características fizessem dele uma pessoa livre das amarras sociais.
De fato, o livro traz muitas críticas à sociedade da época. E muita coisa se aplica aos dias atuais. Não vou dizer que o homem do subsolo não disse nada que faça sentido. Eu só fiquei bem incomodada com a forma como ele escolheu agir em muitas situações.
Escrevendo esse texto eu vou dizer que de fato eu gostei do livro, eu não gostei do protagonista, mas é como eu disse antes, o livro é muito bom e a intenção do autor, provavelmente, não é que a gente se apaixone pelo protagonista (NÃO É POSSÍVEL que se esperava gostar desse moço). Eu tenho gostado de experimentar leituras que eu não escolheria sozinha, bem fora do que estou acostumada. Acredito que há chances de eu ler Dostoiévski no futuro, mas para Junho eu votei em um livro mais leve lá no clube, porque a gente estava cansado já de leituras desconfortáveis. Ler coletivamente é algo novo para mim e eu me divirto conversando sobre os livros no grupo.
Uma observação fora do assunto do livro aqui: Eu sei que estou atrasada com o cronograma desses posts, o pessoal no clube não se apega nisso, mas eu não sou muito de postar resenhas então me deixa um pouco bagunçada postar tudo de uma vez como aconteceu nesses últimos livros. Como em abril e maio eu estava terminando de planejar um casamento e uma viagem e depois casando e viajando, de fato hehe, eu vou acabar postando em junho esse livro de maio (postei o de abril também) e depois vou deixar o de junho para postar no começo do mês que vem pra ficar um pouco mais distribuído.
Espero que eu tenha conseguido passar minhas percepções sobre o livro e que a gente continue falando sobre ele nos comentários (prometo responder todo mundo logo, vou mudar minha organização na resposta aos comentários).

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