Era um texto sobre metas para o fim do ano, virou um desabafo sobre pressões internas e externas, produtividade e capitalismo (?)

O que aconteceu com esse ano? Ele simplesmente passou voando por mim e apesar da certeza de que muita coisa rolou na minha vida, eu ainda fico com aquela sensação de que não fiz nada! Hoje eu já entendo que isso é culpa do capitalismo! Pera, que eu vou explicar isso antes do fim desse texto! Mas apesar dessa sensação estranha de que não fiz nada, esse tem sido um ano importante em muitos aspectos e eu tenho falado disso aqui desde que voltei a escrever e como o ano ainda não acabou, eu quero fazer outras coisas e ia falar disso nesse post, mas precisei editar essa parte porque o texto tomou outros rumos...

uma plantinha bonita porque não achei outra foto para falar que a gente precisa se respeitar

Falando sobre o capitalismo, chega a ser injusto a gente sempre achar que não fez nada quando tanta coisa aconteceu nas nossas vidas... Só que vivemos numa constante cobrança para entregar grandes feitos, ser extremamente produtivos e isso faz com que a gente se sinta mal quando não escreveu durante um mês inteiro, ou não fez 5 viagens no ano, ou não perdeu 20kg, sei lá o que mais é considerado sucesso hoje em dia. A gente fica achando que tem que ser sempre muito produtivo porque somos educados e influenciados dessa forma. Então você ralou o ano todo, trabalhou, tentou praticar uma atividade física, se alimentou bem, mesmo vivendo em um país onde muita gente voltou a passar fome, conseguiu colocar alguns hobbies na sua rotina para cuidar também da sua saúde mental, mas ainda assim acha que não fez nada. Por isso eu falei do capitalismo lá em cima. Toda essa cobrança externa (e interna também) pra que a gente sempre esteja produzindo, entregando, sendo produtivo é culpa do capitalismo que nos convence de que precisamos ser máquinas para manter nossos empregos ou nos destacarmos e assim podermos minimamente existir num sistema injusto e moedor de gente e eu sei que agora alguns de vocês estão me vendo com uma camiseta com a foice e o martelo estampados, mas na verdade eu só estou exausta de me esforçar um monte e ainda sentir culpa quando estou cansada e quero só ficar jogando videogame, ou deitada no sofá com meu marido vendo o Casimiro reagindo à vídeos de comida coreana.

E dá trabalho para ser gentil consigo e não pegar essa pilha. Eu me lembro no começo da pandemia quando muita gente ficou em casa por conta do lockdown (não foi meu caso) e a galera entrou num surto coletivo de que a gente deveria aproveitar esse tempo de recolhimento (onde tinha muita gente morrendo de uma doença nova e praticamente desconhecida para a qual não havia vacina e nem remédios) para aprender coisas novas e se aperfeiçoar e eu que estava trabalhando mais do que antes da pandemia surtei muito grande porque não estava fazendo cursos, não estava me exercitando e nem fazendo pão. Então desde 2020 eu tenho tentado encontrar o equilíbrio entre tentar fazer as coisas que eu preciso/quero e também respeitar minhas limitações e meu cansaço.

Estou tentando me adaptar com um corpo e uma rotina novos, com novos sonhos, novas limitações e novas habilidades enquanto trabalho mentalmente para não me comparar com os coleguinhas e também para não entrar nessa nóia de achar que tenho que dar conta de tudo. Acho que eu estou repetitiva, e sei que ainda vou falar disso em vários posts daqui pra frente, mas como esse blog é um espaço onde eu divido meus processos, é natural que quando um tema está recorrente na minha cabeça, ele fique recorrente aqui, principalmente porque nesses momentos em que tenho um assunto martelando aqui, é quando eu mais escrevo.

Tenho criado mecanismos de proteção para continuar vivendo minha vida e fazendo minhas coisas sem ser tão fortemente atingida por toda essa pressão que vem de fora em forma de tendência. Vou colocar uma listinha de coisas que têm funcionado por aqui porque adoro essas listas e elas sempre rendem muitas trocas com vocês e também ficam como lembretes para mim que quando preciso, volto aqui pra lembrar das minhas próprias ferramentas.

  • Tenho buscado referências parecidas comigo, principalmente com relação ao corpo, já que passei por muitas mudanças no meu corpo e isso gerou muitos sentimentos confusos aqui dentro. Consumir conteúdo de pessoas que se parecem comigo me ajuda a não querer ser igual outras pessoas que têm realidades totalmente diferentes da minha. Ou seja, eu tenho trabalhado muito para não me comparar com os outros.

  • Tenho parado para pensar nos motivos pelos quais eu quero fazer as coisas. Isso tem feito com que eu ressignifique minha relação com a atividade física e faz com que eu não confunda meus motivos e desista das coisas que eu gosto ou me submeta a coisas que eu nem quero porque alguém disse que tinha que ser daquela forma. 

  •  Estou aprendendo meu modo de operação para as situações e traçado estratégias para fazer as coisas que preciso, buscando as respostas mais aqui dentro do que do lado de fora. 

  •  Estou me respeitando mais. Quando eu to cansada, eu descanso. Mas quando eu estou só com preguiça eu tento entender qual é o medo que me faz procrastinar e trato dele para poder fazer o que preciso.

É claro que eu passo por muitos momentos de baixa nos quais eu fico perdida, eu quero fazer coisas que no fundo eu não queria, mas estou querendo fazer por algum tipo de pressão, mas processos não são lineares e eu acredito que tudo é um trabalho de muito tempo, talvez da vida toda, então todas as vezes em que consigo ser fiel à minha verdade, eu comemoro e agradeço.

Então era isso, eu espero conseguir escrever o texto sobre os planos para o final do ano, já que esse aqui virou outra coisa, mas o assunto estava borbulhando aqui dentro e eu só deixei ele sair, respeitando o meu tempo e minha necessidade!

Quero saber se essas coisas também batem por ai e como vocês administram tudo isso.

 

 

 

Comentários

  1. Post bem interessante. Também sou assim. Preciso escrever para desabafar.

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está no ar com muitos posts interessantes. Não deixe de conferir!

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    Até mais, Emerson Garcia

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